Um edifício comercial de 8 pavimentos na avenida Getúlio Vargas exigia contenção de 7 metros de altura, com o lençol freático a apenas 3 metros da superfície. A solução combinou ancoragens ativas com tirantes monobarra DYWIDAG de 32 mm, protendidos a 280 kN, executados em solo residual de granulito — formação típica do embasamento cristalino que caracteriza Feira de Santana. Para definir o comprimento de bulbo, correlacionamos os resultados do ensaio SPT com a adesão solo-calda de cimento, conforme recomendações da ABNT NBR 5629:2018. Em zonas com aterro não controlado, comum nos bairros mais antigos como o Centro, a perfuração rotativa com revestimento provisório evitou desmoronamentos e garantiu a integridade do furo. A instrumentação com células de carga nas cabeças garantiu a verificação da carga de incorporação e a segurança durante a escavação.
A adesão solo-calda em solos residuais de granulito em Feira de Santana varia de 40 a 150 kPa conforme o grau de laterização — um parâmetro que só o ensaio de arrancamento local confirma.
Como trabalhamos
Considerações locais
O crescimento urbano de Feira de Santana a partir do entroncamento rodoviário expandiu a cidade sobre vales de riachos intermitentes, como o Jacuípe e o Subaé, onde predominam sedimentos aluvionares moles. O projeto de ancoragens nesses depósitos enfrenta risco de fluência acentuada e perda de protensão, especialmente quando o bulbo atravessa argila orgânica mole — material com resistência ao cisalhamento não drenada inferior a 25 kPa. A ruptura progressiva de uma linha de tirantes pode desencadear o colapso total da contenção, como documentado em escavações no bairro SIM. Para mitigar esse cenário, especificamos comprimentos de bulbo 30% maiores que o calculado e exigimos ensaio de fluência em 10% dos tirantes, conforme a NBR 5629. A combinação com muros de contenção em concreto armado permite redistribuir os esforços e criar redundância estrutural. O monitoramento com células de carga permanentes é obrigatório em obras vizinhas a hospitais e escolas, onde a vibração da perfuração pode gerar transtornos e a segurança operacional não admite folgas.
Marco normativo
ABNT NBR 5629:2018 — Execução de tirantes ancorados no terreno, ABNT NBR 6118:2014 — Projeto de estruturas de concreto (item 9.5 — protensão), ABNT NBR 6122:2019 — Projeto e execução de fundações, Eurocode 7 (EN 1997-1:2004) — Seção 8: Ancoragens, FHWA-IF-99-015 — Ground Anchors and Anchored Systems
Outros serviços relacionados
Projeto executivo de ancoragens
Dimensionamento de tirantes ativos e passivos conforme NBR 5629, com definição de carga de trabalho, comprimento livre, bulbo e proteção anticorrosiva. Inclui análise de estabilidade global da contenção.
Ensaio de arrancamento (recebimento)
Execução de ensaio em tirante protótipo antes da produção, com carregamento escalonado até 1,75 x carga de trabalho, medindo deslocamentos e fluência conforme a norma brasileira.
Ensaio de fluência e qualificação
Verificação de 10% dos tirantes de produção sob carga constante por 10 minutos, registrando deslocamento estabilizado. Emitimos laudo com curva carga x deslocamento e aprovação técnica.
Monitoramento com células de carga
Instalação de células de carga hidráulicas ou elétricas nas cabeças dos tirantes, com leituras periódicas para detectar perda de protensão e acionar recomplementação quando necessário.
Parâmetros típicos
Perguntas comuns
Qual a diferença entre ancoragem ativa e passiva no projeto de contenção?
A ancoragem ativa é protendida após a instalação, aplicando uma carga de compressão ao maciço que limita os deslocamentos desde o início. A passiva só entra em carga quando o solo se deforma — funciona como um chumbador, sem protensão inicial. Em Feira de Santana, usamos ativas em contenções com limite de deslocamento (vizinhos sensíveis) e passivas em estabilização de taludes em corte onde pequenas deformações são aceitáveis.
Quanto custa um projeto de ancoragens em Feira de Santana?
O projeto executivo de ancoragens, incluindo dimensionamento, desenhos e especificações técnicas, parte de $100.000, valor que varia conforme a altura da contenção, número de tirantes e complexidade geotécnica do perfil local.
Que ensaios de campo são necessários antes do projeto de ancoragens?
Recomendamos sondagens SPT a cada 20 m lineares de contenção, com profundidade mínima de 1,5 vez a altura escavada. Em perfis com intercalações de areia e silte, o ensaio CPT fornece a estratigrafia contínua essencial para posicionar o bulbo. O ensaio de arrancamento em protótipo é obrigatório pela NBR 5629:2018 antes da produção dos tirantes.
Como é feita a proteção anticorrosiva dos tirantes em solo agressivo?
Em solos com pH inferior a 5,5 ou presença de sulfatos, especificamos proteção dupla: bainha plástica corrugada externa ao longo do comprimento livre e injeção de calda de cimento com baixa relação a/c sobre o bulbo, garantindo cobrimento mínimo de 20 mm. A cabeça do tirante recebe pintura epóxi e capa protetora com graxa.
Qual o prazo para executar o projeto e os ensaios de arrancamento?
O projeto executivo é entregue em 15 dias úteis após a conclusão das sondagens. O ensaio de arrancamento em protótipo é executado em 2 dias (perfuração, instalação e cura de 7 dias, mais 1 dia de carregamento). Os ensaios de recebimento dos tirantes de produção acompanham o ritmo da obra, com laudos emitidos em 24 horas.
